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Aos pés do Arenal

Depois de um belo começo de dia na praia, é hora de tomar café, arrumar tudo e pé na estrada. Esse foi o dia mais longo de viagem, pois cruzamos do extremo sul para o centro/norte do país, onde fica La Fortuna, cidade aos pés do vulcão Arenal.

Para chegar até lá precisamos voltar por quase todo o caminho de volta a San José, mas tomando o rumo norte um pouco antes. Também por causa deste dia longo na estrada, optamos por fazer um almoço diferente: compramos coisinhas gostosas num vilarejo para fazer um piquenique e procuramos um lugar à beira rio…
Depois desse momento bucólico, estrada de novo e chegamos a La Fortuna no meio da tarde.
Deixamos as nossas malas no hotel e seguimos rapidamente para o Tabacón Resort para o aproveitar as águas termais e relaxar da viagem longa. Mas todos acharam que não valia a pena o preço para ficar apenas umas duas horinhas e fui voto vencido…chuiff. Tem problema, não. Voltamos para o nosso hotel, o Volcano Lodge, e aproveitamos as piscinas termais de lá mesmo, que tinham uma visão péssima :mrgreen:
O vulcão Arenal é ativo, mas não emite só aquela fumacinha leve que vimos no Poás: diariamente a lava escorre pelas encostas, proporcionando um belo espetáculo à noite, fazendo dos tradicionais apéros na varanda uma super atração. Os olhos de todos estavam sempre grudados no céu, esperando os rios vermelhos e a luminosidade que vinham do vulcão.
(foto de www.travelblog.org)  
Ainda saímos para sentir a noite de La Fortuna: a cidade é pequena e super pacata, tudo acontece em torno da avenida principal, onde se concentram os restaurantes, serviços e alguns hotéis. Jantamos em um restaurante bem recomendado, o Nene’s: comida deliciosa e leve, ceviche e um peixinho no vapor muito bom.
No dia seguinte pegamos a estrada que contorna a base do vulcão até chegar às Puentes Colgantes de Arenal. É uma reserva fabulosa de mata em um cânion, de onde se pode ver o Arenal, atração-mor.
A diferença deste lugar para outros pedaços de floresta, é que existe uma trilha de pontes suspensas cruzando o vale.
Além de ver os bichos e a vegetação…
…ainda se pode acompanhar o riozinho que corre ao longo da trilha.
As crianças adoraram o passeio (que fique claro: crianças de todas as idades ;-) )
Voltando no sentido de La Fortuna, passamos pela pontinha do Lago Arenal que fica mais próxima da cidade, aos pés do vulcão. Essa estrada, que percorremos bastante nesses dois dias, tem uma paisagem linda ao redor: às vezes vemos o vulcão e o lago, muitas vezes mata chegando bem perto e bichos como essa quatizinha que apareceu de repente (para nossa surpresa e medo pela segurança dela)…
Outra coisa que gostei muito foram as cercas ‘vivas’ da região: os troncos das cercas são realmente árvores, com uma poda especial.
Pegamos uns lanchinhos rápidos na cidade para um piquenique no meio do mato: nosso destino era a Catarata de La Fortuna: uma queda de 70 metros, alcançada através de uma trilha curta, mas íngreme.
Não estava com tanto calor assim a ponto de cair na água, mas com certeza dava vontade. Foi um belo fim de tarde para um dia tranqüilo, que terminou no mesmo astral: todo mundo nas piscinas termais do hotel, curtindo a última tarde perto do Arenal ;-)  Mas como sempre temos pique para comer, voltamos para o centrinho da cidade para jantar no La Choza de Laurel: um restaurante típico, meio turistão, mas com comida gostosa e ambiente simpático.
No dia seguinte acordamos cedíssimo e nem esperamos pelo café da manhã para entrar na área do Parque Nacional Volcán Arenal e conferir o Observatório. Este lugar é, ao mesmo, uma pousada (a única dentro do parque) e base de monitoramento do vulcão e de atividades sismológicas, conduzida pelo Instituto Smithsonian.
Apesar do contínuo derramamento de lava e da coluna de fumaça que sobe, noite e dia, o Arenal teve sua última grande erupção em 1968 quando causou grande estrago, matando pessoas e espalhando lava por uma área gigantesca. Desde então, ele tem se mantido calmo e os especialistas garantem que a região é (relativamente) segura.  Por via das dúvidas, todos os carros na cidade sempre devem ser estacionados de ré…
Numa próxima vez eu escolheria me hospedar aqui: é o mais próximo do vulcão que você vai estar, com lindas vistas dele e do lago, caminhadas até as trilhas de lava e pelos bosques ao redor, cheio de bichos.
Nós so andamos um pouco por lá, tínhamos que colocar o pé na estrada de novo. Mas o pouco foi suficiente para querer voltar :-D
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Outras viagens…

Além de passar mais tempo no Observatório, fazendo as trilhas ao redor, outras sugestões de passeios são:

- Trilha até o Cerro Chato: vulcão com um lago na sua cratera e que possui ótima vista para o Arenal.

- Tabacón Hot Springs: com certeza voltaria para uma tarde de relaxamento nas piscinas térmicas naturais, no meio de jardins tropicais.

Pura vida* em Puerto Viejo

A nossa segunda escala na Costa Rica foi Puerto Viejo de Talamanca, região de colonização jamaicana no Caribe Sul, cerca de 210 km de San José. Um lugar remoto e tranqüilo, com lindas praias, povo relax e muitas ondas.

Esse era o nosso primeiro contato mais íntimo com as estradas costarricenses e já tínhamos nos preparado, alugando uma Grand Vitara que se revelaria uma ajuda incrível em alguns trechos rodados. O primeiro trecho, e maior deles, é por uma estrada de boa conservação, mas de mão única e bastante movimentada, já que o seu destino principal é Puerto Limón. Esta é a maior cidade da costa caribenha e base de um grande porto exportador, principalmente de bananas: a economia da região é baseada em boa parte nesta monocultura. A melhor parte deste trecho é pouco depois de Heredia, quando percorremos um longo trecho dentro do Parque Nacional Braulio Carrillo, rodeados de verde a perder de vista.

(mapa de www.1-costaricalink.com)

A segunda parte da viagem, costeando o Caribe depois de Limón, foi um pouco mais difícil, pois a estrada tinha muitos buracos (em parte por causa das chuvas da temporada)  e a velocidade média caiu muito neste trecho. Aproveitamos para fazer uma parada para relaxar um pouco e almoçar. O restaurante escolhido, Sobre Las Olas, é um cantinho lindo à beira-mar em Cahuita, que não se contenta em ter só um belo visual, mas também uma comida muito boa: escolhi um peixe à moda creole que estava uma delícia, hummm…

Tudo isso colaborou para uma refeição demorada… (ah, férias  :-D ) Depois dessa pausa bem-vinda depois de algumas horas na estrada, voltamos à ela por mais uns minutos até nosso ponto final, a pequena Puerto Viejo de Talamanca. Nossa pousada ficava um pouco depois da cidade, já na estrada para o Parque Nacional Gandoca-Manzanillo, com apenas a estrada e um coqueiral a separando da linda Playa Cocles: La Costa del Papito.

(Aqui vale uma nota: a organização da viagem foi toda do anfitrião, que escolheu itinerários e hotéis junto com o seu agente costarricense, além de reservar toda a frota usada por nós. O único trabalho que tivemos foi entrar em contato com a agência e organizar pagamentos. Super gentileza, com tanta coisa que ele tinha para pensar…dá até para ficar mal-acostumado  :oops: )

A pousada, além de muito bem localizada, entre o centrinho e as praias mais bacanas, era um chuchu: vários bangalôs de madeira entre um jardim tropical muito bem planejado e cuidado, onde até os macacos davam as caras. Super rústico e confortável, ao mesmo tempo.

Os bangalôs também tinham redes e uma mesa na varanda, onde era servido o café da manhã que você escolhia no dia anterior, junto com o horário preferido: continental, panquecas, ‘tico’ com gallo pinto

(Tradução: tico - apelido dado aos costarricenses e coisas do país; gallo pinto - comida típica do café da manhã ‘tico’: arroz cozido com feijão preto, um pouco de pimenta e temperos, servido com sour cream. Imperdível quando bem feito.)

Como ainda tínhamos um restinho da tarde para aproveitar, resolvemos ir até a Playa Chiquita. Foi aí que tivemos uma idéia melhor da beleza das praias de Puerto Viejo, que já tínhamos imaginado pela praia do restaurante onde almoçamos…Uma bela faixa de areia branca, sempre afastada da estrada por uma mistura de mata e coqueiral que prende o olho com um verde vivo. Apesar da água não estar com uma cor bonita devido à época, a temperatura estava perfeita e nadamos até quase o pôr-do-sol.

(fotos de www.1-costaricalink.com)

As noites em Puerto Viejo são animadas: a cidade é super pequena, mas tem muitas lojas, restaurantes e barzinhos abertos até tarde, sempre com um reggae acompanhando, muitas vezes ao vivo. Não dá mesmo para esquecer a influência jamaicana na região, resultado de um estímulo à imigração com o objetivo de recrutar trabalhadores para as fazendas de banana.

O dia seguinte amanheceu nublado, mas mesmo assim pegamos o carro e seguimos para as praias de Manzanillo e Punta Uva.  A temperatura estava ótima para caminhar na praia, mas com nuvens as praias não ficam tão lindas…mesmo assim nos surpreendeu a tranqüilidade e privacidade que se encontra nestes cantos. É uma maravilha :-)

Outra coisa bacana é que, apesar de não se ver serviço de bordo nas praias, é só caminhar alguns metros até a estrada principal que você tem vários restaurantes à escolha. Com o começo da chuvinha, decidimos parar para almoçar em uma soda, que são os restaurantes mais populares, que servem casados: o nosso conhecidíssimo PF. Este em que comemos era gerido por uma família, a mãe cozinhando e outros ajudando ou servindo. Um ambiente gostoso, totalmente aberto e com vista para a mata…cerveja geladinha e comida saborosa: arroz, peixes, legumes, salada…

E para aproveitar a tarde fechada, um momento ‘eu me permito’: marquei uma massagem no spa da pousada, o Pure Jungle Spa. Eu adoooro massagens e quando soube que tinha um spazinho no lugar, já tratei de experimentar. Primeiro um escalda-pés rápido com flores e depois massagem com produtos locais: cacau, mamão, ervas…uma delícia. A cabana é inteira de madeira e as janelas ficam escancaradas para a mata, àquela hora verdíssima com a chuva, eu não sabia se prestava atenção na massagem ou na paisagem… Eu já estava relaxada, mas é sempre bom se garantir  ;-)

Iríamos embora no dia seguinte…uma pena, tinha gostado muito do lugar, mesmo com o tempo esquisito. E não é que acordei espontaneamente, antes das 6 da manhã (isso nunca acontece comigo)? E com luzes entrando pelas frestas? Na hora em que coloquei os pés para fora do bangalô…um sol maravilhoso! Fui logo para a praia curtir aquele começo de dia lindo.

A praia da pousada é chamada de Playa Cocles, é bem extensa e com ondas, além daquele visual já conhecido de areia branquinha e coqueiral atrás. Não tinha ninguém na praia, só eu e um sol já de queimar…
Ah, claro, estavam ali também os habitantes da areia: montes e montes de siris, que deram as caras quando estendi a minha canga e fiquei bem quietinha. Uma beleza, vê-los ali, saindo da toca para ver se estava tudo bem…até um pobre coitado cuja toca foi coberta pela minha canga: vi algo levantando o tecido e logo o afastei para a saída do pequeno :oops:
Essa praia, assim como as outras que visitamos, são portadoras da Bandera Azul Ecológica, um programa do governo que identifica as praias que têm controle de poluição e estão entre as mais limpas e seguras do país.

Essa manhã na Playa Cocles também é a história da foto do meu cabeçalho ;-)

 

Depois dessa manhã linda, nem reclamei de fazer as malas e seguir viagem…
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Outras viagens…

Com bom tempo, eu dedicaria pelo menos uns 3 dias a Puerto Viejo. Aqui seguem algumas sugestões com o que eu faria numa próxima vez em Puerto Viejo de Talamanca:

Refugio Nacional de Vida Silvestre Gandoca-Manzanillo: seguindo pela estrada que sai de Puerto Viejo em direção às praias, o ponto final é este parque, que se estende até a fronteira com o Panamá. É uma combinação de mata e pântano com praias lindas (e recifes de coral também protegidos): as suas trilhas foram muito recomendadas. Observação de animais também é um ponto forte: tucanos, macacos, peixes-bois e tartarugas marinhas são alguns que podem ser encontrados por aqui.

- Aviarios del Caribe: é um centro de pesquisas de bichos-preguiça, um dos animais mais representativos do país (possui também uma pousada). Você pode fazer passeios de canoa pelo delta do rio que passa dentro da propriedade ou simplesmente curtir as fofas preguiças que estão sempre por ali.

* Pura vida: é uma expressão muito usada para difusão do país e dentro dele, significando bom humor, uma atitude positiva, que está tudo bem…enfim, de celebração de vida.

(A grande) San José é uma festa

Chegamos ao aeroporto de San José numa tarde chuvosa e quente, depois de uma escala em Lima. Os nossos anfitriões, mesmo com tantas coisas para resolver antes do casamento, foram nos buscar e seguimos adiante, aproveitando para colocar o papo em dia enquanto esperávamos o trânsito se resolver.

Não nos hospedamos na capital, mas em Heredia, uma charmosa cidade da grande San José, a apenas 11km da capital. Ficam ali a Universidad Nacional, sedes de multinacionais (especialmente de tecnologia), algumas construções coloniais e também pontos de interesse mais pessoais para nós. Além de estar numa região mais alta e com muito verde, Heredia também se revelou ideal para fugir do trânsito de San José e um bom ponto de saída para ir aos lugares que queríamos visitar.

Ficamos no excelente Hotel La Condesa, que, além de ser muito confortável e ter ótimo serviço, era um ponto estratégico, já que a festa de casamento seria no próprio hotel.  Aproveitamos o resto da tarde comendo decentemente, relaxando e fazendo social, já que muitos dos convidados/viajantes já tinham chegado também.

Reservamos estes quatro dias para relaxar, comer bem, (re)ver a família do Charles e, claro, fazer o que todo turista gosta: turistar :mrgreen: A região em torno da capital é cheia de coisas muito bacanas para se fazer e normalmente se chega a elas através de estradinhas pequenas por áreas de linda vegetação e cidadezinhas simpáticas.  Aliás, tudo na Costa Rica é fácil: a escala das cidades é humana, as pessoas sempre têm um sorriso no rosto e adoram te ajudar, a comida te lembra alguma coisa familiar…A única questão a que não nos acostumamos é a da orientação: eu, que sempre me vangloriei de ter um ótimo senso de direção, me senti muitas vezes totalmente perdida por lá, como uma bússola desmagnetizada. O método de usar cem metros como um padrão de referência de distância também não ajuda: pode significar 100m, um quarteirão ou nenhum desses dois :roll:

Bem, vamos lá: o primeiro desejo era ver um vulcão. Sabe aquele clichê de criança, vulcão triangularzinho e tudo? Pois é, nunca tinha visto um e saber que eu estava perto de tantos aguçou a curiosidade antiga: a Costa Rica está localizada sobre o Círculo de Fogo do Pacífico e possui mais de 100 vulcões, apenas alguns destes ainda em atividade. Dois destes estão muito próximos de San José: o Irazú e o Poás, sendo que escolhemos este último por estar mais próximo de Heredia.

O nosso pecado: saímos tarde e nem chegamos ao final da subida até o estacionamento do parque nacional. Uma névoa cobria tudo e não veríamos sombra da cratera. Ok, meia volta e alguns minutinhos até o La Paz Waterfall Gardens. Esse parque particular seria uma amostra do que veríamos freqüentemente na nossa viagem: um turismo muito bem estruturado. O parque é organizado ao redor de um rio que tem cinco lindas cachoeiras, com um conjunto de trilhas e mirantes que facilita a visão de todas elas.

Além disso, eles têm um borboletário (existem muitos destes no país e também fazendas de borboletas para exportação)…

…um jardim de beija-flores (muitos e muitos, eles passam zumbindo por você, sem medo)…

…e um belo ranário, onde você descobre um sapinho (venenoso) diferente em cada canto (ok, com a ajuda do monitor melhora bastante).

(Já deu para perceber que eu adoro sapos? :roll: :mrgreen: )

O lugar é lindíssimo e divertido e ainda bem que a chuva só foi cair bem no final do nosso passeio. Mas ainda não tínhamos desistido de visitar o Poás. Uma boa parte do nosso grupo se animou no dia seguinte e saímos bem mais cedo. Hmmm…os deuses que habitam os vulcões deviam estar enfurecidos, porque a névoa estava lá. Bem, já que não iríamos voltar por uma terceira vez, continuamos. Estacionamos. Andamos até a borda da cratera. E esperamos.

E esperamos…eba!

Essa é a cratera principal, com seu lago cor-de-experimento-químico-que-não-deu-certo. É aqui que se pode ver o vulcão em atividade: nestes últimos tempos o único sinal visível é a fumacinha discreta que sai das paredes da cratera (felizmente). A visão que se tem da cratera principal é muito impressionante, assim como a mata que cobre as encostas do vulcão e que abriga algumas trilhas, como a que vai até a outra cratera, a da Laguna Botos, só que com uma visão bem diferente…

Apesar das nuvens, ou por causa delas, a paisagem nos prendeu. Que lago…e que mata! Esta cratera não está ativa há muito tempo e isso explica a existência de todo esse verde. Valeu a pena ter entrado no parque mesmo com todas as chances contra ;-)

Ainda pudemos, nestes dias, conhecer Heredia: o clima é de cidade do interior, com muitas pessoas relaxando na praça da catedral, muito comércio e cafés ao redor. O centrinho da cidade é muito simpático e tem algumas construções coloniais, do séc. XIX e começo do séc. XX. 

(fotos de www.tropicocr.com (e) e www.commons.wikipedia.com (d) )

Fomos também até Sarchí, uma cidade cheia de artesãos, que fazem principalmente este tipo de pintura, típica da Costa Rica (o carro de boi também é símbolo do país).

Claro que demos um pulinho em San José, mas a visita a pé foi totalmente frustrada por uma forte chuva, assim como o almoço planejado num restaurante charmoso, que não achamos de jeito nenhum (nem o segundo restaurante escolhido, nem o terceiro…). Simplesmente não nos encontramos por lá. Pelo pouco que vimos, nos pareceu uma cidade muito agradável, com alguns bairros bons para se passear a pé e um centrinho típico de capital latino-americana, mas não é caótico, só movimentado.

E por último, e mais importante, o motivo de nossa viagem: o casamento! O local da cerimônia não poderia ter sido melhor escolhido: uma capelinha charmosa no meio do mato, na área alta de Heredia, de onde se tinha uma vista maravilhosa de San José…e dali, direto para a festa animadíssima no hotel, pertinho dali, com direito a muita salsa, shots de tequila e até escola de samba!

Foi um belo começo de viagem que prometia :-)

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Outras viagens…

Tem muita coisa a ser feita nessa região chamada Valle Central. Aqui seguem algumas sugestões do que eu faria numa próxima vez em San José e arredores:

- Vulcão Irazú (dizem que dá para ver os dois oceanos do topo) e Cartago, cidade colonial: 24 km ao sul de San José

- San José, para explorar o centro, construções históricas e visitar o Museu de Jade.

- Fazenda de borboletas La Guácima: aproximadamente 25 km a oeste de San José, é uma oportunidade de ver a exploração comercial das pupas (a borboleta dentro da crisálida).

- Parque Nacional Braulio Carrillo: é uma região grande de floresta tropical protegida, que está praticamente às bordas de capital. É possível fazer trilhas, incluindo a subida até o Vulcão Barva, e um outro passeio recomendado, a observação da floresta no Rain Forest Aerial Trams.

- Rafting: a região próxima a Turrialba (64km de San José) é a chamada capital do white-water rafting na Costa Rica e o maior movimento se dá em torno dos rios Pacuaré e Reventazón. Normalmente são comprados pacotes nos quais já está incluído o transporte.

Outro programa muito procurado são as fazendas de café, como a Britt, com programação turística que inclui visitas às plantações e degustação, tudo muito organizado, claro. Mas para uma mulher que tem suas raízes em uma área cafeeira do sul de Minas e desde criança brincou em terreiros de secar café, o passeio me pareceu um pouco ‘gringo’ demais. Mas eles aproveitam todo o seu potencial turístico e isso é de se admirar. Por que não podemos fazer o mesmo por aqui?

Com o pé na estrada: Costa Rica

A Costa Rica não é um destino muito conhecido ou desejado pelos brasileiros. Um dos motivos é uma certa dificuldade para planejar a viagem: existem poucos vôos e, apesar de um destino latino-americano, o país não é muito barato em função das pencas de turistas europeus e, principalmente, norte-americanos que aparecem por lá. O outro motivo é que…por que sair do Brasil para ver florestas tropicais? Fauna típica? Plantações de café? Lindas praias?

Porque o país se parece uma versão miniatura do nosso e essa é justamente uma das boas razões para visitá-lo. Em poucas horas você sai da capital para uma linda praia na costa caribenha, para logo depois estar numa região parecida com o Pantanal, dar um pulinho até os parques nacionais de floresta e em mais duas horas estar na costa do Pacífico. Bacana, não é mesmo? E que tal ainda colocar uns vulcões e um temperinho latino na mistura? :-D

Pelas descrições que já tinha lido, a Costa Rica era um daqueles lugares que eu sabia que iria adorar. A desculpa perfeita para aterrissar no aeroporto de San José era o casamento do Charles, grande amigo do Marc e de quem ele seria padrinho. Depois do casamento, os noivos, amigos e família sairiam para uma lua-de-mel inédita e coletiva, percorrendo o país de costa a costa, literalmente.

(mapa tirado de costa-rica-guide.com)

Se eu quero ir??? Claro que eu quero :mrgreen:

Nossa viagem começa em San José e arredores, continua pela costa caribenha sul, Puerto Viejo de Talamanca…

…passando depois pela lindíssima região do vulcão Arenal…

…pelas florestas de Monteverde (e a super diversão do canopy)…

…até a outra costa, a do Pacífico, praia Sámara e Carrillo…

…e voltando ao Caribe, desta vez na costa norte, para aproveitar as praias e os canais cheios de vida de Tortuguero.

Eu já estava morrendo de saudades dessa viagem, feita em julho de 2006…e esse blog também é uma desculpa, só que para relembrá-la ;-)

PS: Essa série é uma homenagem ao nosso queridíssimo anfitrião Charles e à sua muito gentil família :-D

A migração do Pato Econômico - Ushuaia

Seguindo a trilha do Pato Econômico, Ushuaia:

Bem vindos ao Fim do Mundo

Esta é sem dúvida uma das regiões mais bonitas da América…Viajar até o fim do mundo: conhecer o canal de Beagle, lagos cristalinos emoldurados pelas montanhas nevadas e parques repletos da vida selvagem…é um excelente programa. Além disto, no carnaval custa menos do que o pacote em um pousada do litoral norte. Para se viajar com todo o conforto, gastamos, entre 4 dias em Buenos Aires e 4 um Ushuaia, algo como US$ 1.350 por pessoa, valor este que inclui - ao contrário dos pacote - não só a passagem e hospedagem, como todos os passeios, refeições e extras. É hora de aproveitar o câmbio favorável e conhecer um dos maiores espetáculos da natureza, num lugar seguro e inesquecível.

A Patagônia é para você que gosta de paisagens e de caminhar. Aquilo já é majestoso, fica ainda mais lindo com as cores que só se encontram lá e em nenhuma outra parte do mundo…Se você gostou das nossas fotos, elas são totalmente originais, sem nenhum fotoshop.

A primeira dica do Pato Econômico é reservar tudo por conta própria, evitando os pacotes das operadoras. O pacote mais barato que vimos custava mais do que o que pagamos, com menos dias em Buenos e sem os passeios e refeições, que juntos custaram pelo menos US$ 400. Reservamos nossa passagem pela Submarino Viagens e usamos a recomendação da Emília para reservarmos nossa acomodação. (Nota da blogueira: recomendei ao Ernesto que desse uma olhada no incrível site que o Tony fez para relatar sua viagem para a Patagônia e ele gostou da pousada em que o Tony e a Cecilia ficaram em Ushuaia. Ela está descrita mais abaixo.)

A passagem Buenos-Ushuaia, ida e volta, sai por cerca de US$ 400 na Aerolineas Argentinas e um pouco mais nos aviões mais novos e com tripulação mais simpática da Lan. Para ir até Buenos, gastam-se mais US$ 220/350, dependendo da promoção que se consiga. Não vale a pena ir de ônibus pois, partindo-se de Buenos, são mais 3.000km até Ushuaia, boa parte deles por estrada precárias. Quem tiver tempo e paciência, pode descolar um vôo por até US$ 100 nos aviões operados pela Força Aérea Argentina, pela LADE, com horários incertos.

É uma excelente rota para fazer no verão, aproveitando os dias com luz até às 10 da noite, e especialmente para aproveitar o carnaval brasileiro, que não é feriado na Argentina. É um programa para quem gosta do frio, pois as temperaturas são baixas, embora durante o dia as caminhadas sejam bem agradáveis. Para quem quiser fazer compras, a região é Zona Franca, com boas compras de eletrônicos e os famosos casacos de couro, que são mais baratos que em Buenos Aires, pois não há impostos.

Ficamos nas Cabanas Tierra Mistica, uma pousada nova, aconchegante e bem localizada, com um preço bem camarada de US$ 80 por casal, incluindo o café da manhã e traslado até o aeroporto. A pousada tem fogão micro-ondas, o que é uma grande vantagem, pois permite comprar comida pronta no supermercado ou nas rotisserias, uma boa alternativa aos restaurantes locais, que são mais caros e não têm a mesma qualidade dos de Buenos. Para os mais econômicos, há diversos albergues com diárias a partir de US$ 15 por pessoa.

Quanto aos passeios, um dos mais bonitos é o de um dia inteiro de jipe, que leva você pelas antigas trilhas de lenhadores. O passeio começa num restaurante onde você conhece os huskys siberianos de olhos azuis que puxam trenós no inverno. Tem um churrasco com vinho à beira do Lago Fangano, com direito à visita dos simpáticos zorros, uma espécie de raposinha local, e termina com um passeio de caiaque num dos lagos azuis, que fizemos com a Nunatak Adventure. O passeio custa cerca de R$ 150, com almoço incluído.

Também recomendo o passeio pelas barragens de castores, onde você pode conhecer um pouco mais sobre estes simpáticos habitantes locais, que custa R$ 100, com jantar incluído e que pode ser comprado em qualquer uma das agências de turismo da Calle San Marin.

Várias agências fazem o canal de Beagle, vendendo seus pacotes no porto, mas eu recomendo especialmente o passeio com a agência Três Marias. Por aproximadamente US$ 50 por pessoa, fomos num emocionante passeio com um veleiro, com ondas que freqüentemente passam de 2 metros. A falta de conforto de um barco grande é compensada pela aventura e o contato com a natureza, pois estes barcos são os únicos que desembarcam nas ilhas, com seus cormorões, gaivotas e pingüins, numa inesquecível paisagem deserta, ao contrário dos demais que só observam a natureza de longe. O único porém deste passeio é que, como não há porto nas ilhas, o acesso se faz por uma pequena escalada, razão pela qual não recomendo este passeio para velhinhos ou pessoas com limitações físicas.

Quanto ao Parque Nacional propriamente dito, 2 dias são suficientes e há uma caminhada bordeando o lago que vai até a fronteira com o Chile e com certeza você vai ver patos selvagens, lebres, gaviões. As trilhas são bem sinalizadas e é muito mais fácil fazer as caminhadas por conta própria. Procure ir nos dias da semana, onde o parque é mais vazio e não é freqüentado pelos locais. Você pode ir de carro ou pegar um trecho do romântico ‘tren del fin del mundo’, onde, na companhia de cavalos selvagens, a locomotiva a vapor acompanha lentamente um riozinho que leva ao parque.

Nós alugamos um carro na Localiza por US$ 50 a diária, que achamos uma ótima maneira de percorrer o parque e as redondezas, mas quem estiver sozinho pode, por US$ 5, pegar uma lotação até a entrada do parque.

A melhor época para ir é de outubro a março, onde o dia tem temperatura agradável e só anoitece às 10 da noite. No inverno é frio, o dia é curto e penso que, mesmo com as paisagens diferentes, só compensa para quem curte esquiar, o que não é o meu caso.

E, só para finalizar, são possíveis duas extensões bárbaras para esta viagem: uma até a Península Valdez, já descrita pela Lucia Malla - basta fazer um stop em Trelew, que faz parte da escala da maior parte dos vôos. E outra é pegar o ônibus ou um avião para Punta Arenas e conhecer suas ‘pingueneras’ e, principalmente, o inesquecível parque Torres del Paine.

Mas aí já é outra viagem…

Obrigada, Ernesto!

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