Arquivo para a categoria 'França'

O trenzinho e a caipira

img_6264

Apesar de estarmos muito longe de ter dado uma volta ao mundo, nos sentimos muito próximos de Phileas Fogg nesta viagem: acredito que usamos quase todos os meios de transporte possíveis, mas ele ainda ganha por uma carona de elefante ;-)

Usamos carro na França e ônibus urbano em Istambul…Só de trechos de avião foram 13, usando quatro companhias diferentes (e, milagrosamente, não foi cansativo e em parte por conta da pouca bagagem que levamos: uma malinha de 15 kg cada um).

img_70221

Barcos de todos os tipos, em todos os lugares: lanchas e navettes no sul da França, veleiros na Grécia e ferries para cruzar o Bósforo, em Istambul.

img_9328

Queríamos ainda ter usado os catamarãs e ferries entre as ilhas gregas, mas a falta de informação quanto aos horários (e se iriam mesmo operar em setembro) quando estávamos planejando a viagem nos levou a preferir os vôos, por segurança. Talvez numa próxima viagem, quando estivermos no pique de pegar uma mochila e sair sem planejamento e reservas: hoje tem ferry para Folegandros? Ótimo. Não tem? Ok, vamos para Naxos :-D

Mas uma coisa que eu queria mesmo era andar de trem. Ok, teríamos metrô em Paris e Atenas, funiculares em Atenas e Istambul, bondes moderninhos e antigos nesta última. Mas eu queria era mesmo viajar, sentir o que é andar de trem de verdade.

img_8812img_8832

Sim, parece incrível, mas nunca fiz viagens longas com trem. Na Europa sempre fui viciada em carro e no Brasil…veja bem, não preciso comentar muito. A única vez em que viajei de trem foi quando era bem novinha e meu pai sentiu que precisávamos ter a experiência, além de tentar reproduzir um pouco as sensações que ele próprio e a minha mãe tinham, quando crianças, transitando entre o sul de Minas e São Paulo. A solução: saímos da Estação da Luz em direção a Campinas, andamos um pouco por lá e voltamos. Foi bacana, mas rapidinho e há tanto tempo atrás…

Depois, por influência póstuma do meu sogro, só fiz trajetos curtos e históricos, como o Anhumas-Jaguariúna, Tiradentes – São João del Rey, Passa Quatro – Divisa SP/MG, Memorial do Imigrante…Tudo muito bacana, mas nada realístico. Por tudo isso é que eu prontamente sugeri o TGV para voltar do sul da França para o aeroporto: além da experiência, ainda poderíamos partir com tranqüilidade, aproveitar nossa carona até a estação e chegar com folga ao Charles de Gaulle, pouco mais de 5 horas depois, para pegar nosso vôo com destino a Atenas.

Os bilhetes foram comprados uns dias antes, numa agência de viagens em Cogolin, do lado de Port Grimaud. No dia de nossa viagem, o nosso casal anfitrião nos levou até Les Arcs, o ponto mais próximo de parada do TGV para nós.

img_6272

É uma cidadezinha do Var, cercada de vinhedos, à beira da A8, a auto-estrada da Provence. Tendo algum tempo antes da chegada do trem, queria dar uma volta, mas as malas não deixaram, além da estação estar numa área um pouco desoladora da cidade. Aliás, a própria não fica muito atrás não: um prédio pequeno e bonito, do início do séc. XX, mas em triste estado de conservação.

Ok, um pouco de espera e lá vem ele, rapidinho que só…

img_6273img_6267

Um pequeno sufoco achar o vagão correto dentro do pouquíssimo tempo de parada do TGV na estação, o que nos fez pagar o mico de correr com malas plataforma afora :roll: Mas uma vez dentro…sossego puro! Mesmo não optando pelo vagão de primeira classe, as poltronas são muito confortáveis, mesinhas úteis para escrever e apoiar bebidas e comidinhas.

E a paisagem? Que interessante ver toda a mudança de cenário conforme se passa rapidamente de uma região até a outra! Não dá para se entediar, mesmo porque a visão de sua janela muda num piscar de olhos ;-) Rios, castelos, cidades, montanhas, campos verdes com vaquinhas…Eu parecia uma garotinha, sem tirar os olhos da janela, com um sorriso bobo nos lábios, música nos ouvidos. É…para usar um clichezão, antes tarde do que nunca. Sou mesmo uma garota deslumbrada de 32 :oops:

O ritmo da viagem foi tão bacana que nem acreditei quando nos aproximamos da nossa estação final, Charles de Gaulle (que, aliás, não poderia ter contraste maior com a Les Arcs…) Saí do trem, mas não sem uma certa insatisfação, pensando nas chatices básicas do nosso próximo meio de transporte: check-in, embarque, ônibus, avião, ônibus, pegar mala…

img_6283

Eu, que já era fã da aura romântica dos trens, mesmo sem nunca ter viajado, depois disso só me certifiquei de que quero usá-los muitas e muitas vezes. O único problema é ter começado por um trem do nível do TGV: talvez fique mais difícil fazer um downgrade depois para um trem mais lento, mais velho e desconfortável…

Depois de um vôo rápido e pontual até Atenas, mais uma boa surpresa com trilhos… Estávamos na dúvida entre tomar um táxi (um certo pânico - depois confirmado – de enfrentar os taxistas atenienses) e usar o metrô. Decidimos arriscar e pegar um dos últimos trens, depois de correr muito e esquecer de compostar o bilhete…Não façam isso, crianças! Ficamos tensos depois que nos lembramos deste pequeno detalhe: não aconteceu nada conosco, mas na volta para o aeroporto vimos um fiscal autuando uma turista francesa que não sabia que tinha que compostar o tíquete na entrada da estação.

Uns quarenta minutos de viagem depois (num trem super limpo e novinho), estávamos em pleno centro de Atenas, na linda estação Acrópolis. Mais dois quarteirões caminhando e voilà: nosso hotel, o Athens Gate. Mais uma vez deslumbrada: que civilizado! Que fácil! Nessa hora eu me lembrei dos R$ 80 cobrados para ir de Guarulhos até a minha casa :-(

Água e um loukomi depois eu já nem me lembrava mais dos taxistas de Guarulhos, de Atenas ou de qualquer lugar que fosse. Especialmente depois de entrar no quarto e dar de cara com essa vista :-D

img_6284

Do alto 2: Gassin

img_6143

Continuando o tour das cidades-fofas-no-alto-de-rochedos, outra preciosidade que pode (e deve) ser visitada é Gassin. Como Grimaud, ela está sobre o maciço de Maures, uma região montanhosa situada no Departamento do Var, onde se encontra esta parte de Côte d’Azur que visitamos.

gassin450x315

(foto de www.suntrop.co.uk)

Ela está localizada na península de St Tropez, bem próxima à cidade, mas separada dela por uma estradinha rodeada de vinhedos. Aqui nesta região, o espaço é valorizado e as vinhas são plantadas até nos canteiros das rodovias, chegando quase até o asfalto.

img_6169

O forte da produção vinícola na região é de rosés, tipo de bebida que combina perfeitamente com o clima quente e o espírito da boa vida do sul da França. Funciona muito bem a qualquer hora (talvez não no café da manhã, mas alguns ainda hão de discordar de mim ;-) ) e mesmo os vinhos da cooperativa de Grimaud (Les Vignerons de Grimaud) são muito gostosos.

Muita gente não curte muito rosés por aqui, mas como ouvimos por lá que este tipo vinho não viaja muito bem, esta tendência pode até ser justificada… Alguns meses antes de viajar tomamos uma garrafa em um restaurante em São Paulo e não gostei. Experimentamos o mesmo vinho lá e era completamente diferente. Será que a teoria tem mesmo um fundo de verdade? Ou foi o cenário que melhorou o gosto do vinho?

Bem…chega de divagações enológicas, mesmo porque eu entendo lhufas de vinho: nada de muita teoria, o bom mesmo é beber :mrgreen:

img_6127

Terminando a subida chega-se a uma praça que dá as boas vindas a quem chega à Gassin. Dali é que se tem uma idéia da posição privilegiada da cidade…

img_6145

…com a visão dos vinhedos na planície.

img_6120

Como é de praxe, Gassin parece uma cidade cenográfica, muito bem restaurada e cheia de cantinhos que imploram por fotografias…

img_6128

…especialmente os muros de pedras cheios de primaveras, flor mais que característica do Mediterrâneo e que nos acompanharia durante toda a viagem, especialmente na Grécia. Outra flor muito presente em todos os lugares era a bela-emília (nenhuma parcialidade por parte da dona do blog! :lol: ), como nesta parede…

img_6134

Nós não ficamos muito tempo já que tínhamos uma reserva para almoço, mas, mesmo a cidade sendo pequena, vale a pena ir com calma e explorar todos os bequinhos porque sempre há algumas surpresas, como uma torre medieval. Que, neste caso, é chamada de Porta dos Sarracenos, antiga entrada do Castrum (forte de defesa).

img_6131

Ou poços antigos, como na…Rua dos Poços :roll:

img_6139

São muitos detalhes interessantes e há uma visita guiada ao vilarejo, cujos horários podem ser conferidos nos mapas informativos à entrada de Gassin.

img_6147

Voltando ao ponto de partida, circulamos pelas muralhas até chegar à Place deï Barri. Apesar de não termos ficado para comer, sugiro um almoço demorado na ali: são vários restaurantes charmosos, vizinhos de galerias de arte (como a tradicional Galerie deï Barri) e todos com uma super vista panorâmica :-)

gassin_1

(foto de www.les-plus-beaux-villages-de-france.org)

E ainda dá para visitar as vinícolas…mas isso fica para uma próxima vez. Dá para entender porque os freqüentadores de St Tropez pegam essas estradinhas quando querem um pouco de sossego…

img_6133

_______
Outras viagens…
Para completar a trilogia, faltou visitar Ramatuelle, do ladinho de Gassin. Parece ser uma gracinha também ;-)

Do alto 1: Grimaud

img_6202

Esse cantinho do Mediterrâneo é feito de vida à beira d’água e também de muito mais… No entorno do golfo de St Tropez existem algumas cidadezinhas charmosas, mas não de praia: elas olham o mar encarapitadas nos maciços rochosos ao redor. Em comum, além da situação geográfica e lindas vistas, elas têm a origem medieval e uma certa beleza e calma que nos dão vontade de só andar e andar…

img_6173

Grimaud é uma delas. Essa belezinha é o centro administrativo da comuna ao qual pertence Port Grimaud, onde estávamos. Ao contrário do ‘filhote’, a cidade tem uma longa (e ainda um pouco obscura) história como ponto de defesa do golfo. O que mais evidencia este passado é o castelo do século XI, que, apesar de em ruínas, ainda protege a cidade aos seus pés com ar imponente…

img_6222

img_62183img_6221

Outras marcas do passado estão nos detalhes, basta observar bem para conferir nas paredes e muros…

img_6182img_6184

…e nas igrejas como a de Saint-Michel, do século IX, e capelas muito fotogênicas (só não saíram bem nas minhas fotos :lol: )

grimaud_13_chapelle_des_penitents_gr

(foto de www.diocese-frejus-toulon.com (e) www.grimaud-provence.com (d) )

Falando em observação, esta é uma das atividades imperdíveis em Grimaud. Mas tem outras: que tal caminhar? E que tal só relaxar e curtir? Como esses são os meus esportes prediletos :mrgreen: , eu passei uma tarde deliciosa por lá…

img_61991

Cada vez mais eu me surpreendo num certo ritmo caymmiano ao turistar…andar, olhar algo lindo até ficar bem gravado na memória, andar mais um pouco, brincar com um cachorro, descansar. Sem lerês. Aliás, eu percebi nessa viagem que ando precisando me preparar psicologicamente para os grandes lerês (N.B.: para os não familiarizados com a expressão cunhada pelo Freire, são aquelas atrações turísticas muito famosas e lotadas).

Mas algo te dá certeza de que há algo errado (ou muito certo?) quando você começa a se encantar com portas :-D

img_6180img_6192

img_6193img_6196

…e placas (elas de novo!).

img_62042

Muita gente nas ruas? Imagina…a cidade deve ficar só levemente agitada na época de Les Grimaldines, o festival de verão. Pena que chegamos um pouco tarde.

img_6198

Apesar da proximidade do mar, o ambiente é totalmente diferente, mais de interior, bastante provençal… 

img_6187

…e é justamente essa característica que atraiu muita gente interessada num estilo de vida relax, o que gerou muitos restauros de casas, feitos com propriedade. Além da localização e da atmosfera única, esses moradores ganharam também uma vista maravilhosa, especialmente à noite, quando se pode ver os vultos luminosos de Port Grimaud, Saint Tropez e St Maxime ao longe…E tivemos a sorte de conferi-la como convidados para um jantar delicioso e altamente agradável numa dessas casas.

img_6194

Caso você também esteja procurando beleza, mas sem precisar sair da primeira marcha, pode vir que esse é o seu lugar ;-)

img_6216

Procurando BB

img_5883

Quando se pensa fala em Saint Tropez, pensamos em…Brigitte Bardot. Assim como fez com Búzios, a musa transformou o pacato vilarejo de pescadores em destino-desejo de artistas, milionários e celebridades em geral. Ela chegou em meados dos anos 50, para as filmagens de …E Deus criou a mulher, ponto de virada de sua carreira. Depois de seduzir os homens e escandalizar a igreja com o filme (dirigido por seu marido Roger Vadim), BB e Saint Tropez nunca mais foram as mesmas.

saint-tropez_map

(mapa de www.frenchfriends.info)

É, os tempos de vilinha charmosa e quase desconhecida ficaram para trás, mas a beleza da cidade e sua fama de lugar glamouroso continuam atraindo especialmente artistas e também anônimos desejosos de sentir o clima de ‘St Trop’.  Desde que decidimos ir para o sul, então, sabia que ela seria um dos poucos cantinhos a quebrar nossa rotina de descanso puro. Era tão perto, uma tentação: 15 minutos de carro ou menos de meia hora de barquinho-táxi saindo da capitania de Port Grimaud. Acabei gostando tanto que fizemos várias visitas.

A primeira foi de barco, passeando pelo golfo: a cidade é discreta e elegante com suas casas em tons terra. Os enormes iates no Vieux Port parecem destoar um pouco da paisagem, em tamanho e quantidade maiores que o recomendado para uma cidade tão delicada. Ainda assim é uma bela combinação, assim como a citadela do séc. XVI e as maravilhosas casas de veraneio, que podem ser vistas de barco, à distância.

Mas nada como colocar os pés em terra e ver tudo de pertinho, então no dia seguinte pegamos a navette e logo descíamos no mítico porto. Tudo muito divertido: turistas andando para lá e para cá, os donos dos iates se exibindo nos próprios… 

…ou comendo nos restaurantes branchés ao longo da marina…

…a maioria fazendo comprinhas, de todos os tipos   :mrgreen:

Quem chega a Saint Tropez pela primeira vez e bate perna pelo cais tem a impressão de que esse é o real espírito do lugar. Na verdade, as ruas agitadas das marinas velha e nova fazem parte de um lado da cidade: o outro você conhece ao se perder pelas ruas estreitas da vila medieval.

img_5974img_5981

Ali, a poucos quarteirões do burburinho, é possível encontrar ruas desertas…

…e pracinhas encantadoras.

img_59801

Uma coisa muito boa de se fazer é xeretar os ateliês e lojinhas charmosas, num esquema bem diferente do enxame de marcas luxuosas que vimos ao chegar. Os artistas e donos de lojas gostam de bater papo e estavam planejando uma festa ao ar livre na pracinha mais fofa dali, dois dias depois.

Outras recompensas de andar pelos bequinhos de Saint Tropez é dar de cara com cenas como essa :-D

…ou ver casas como essa aqui.

É numa dessas ruazinhas que fica a principal igreja, com sua torre colorida facilmente identificada de longe, desde o golfo…

Dá para andar horas sem cansar, curtindo cada pracinha, admirando as construções medievais e as casas com fachadas cobertas por primaveras floridas, fuçando em uma lojinha bacana. Ou comendo uma tarte tropezienne, hmm…

img_6002img_6001

Com certeza teríamos ficado até à noite se tivéssemos vindo de carro. Mas a última navette saía um pouco depois das 5, então voltamos, mas com vontade de ficar mais…

img_5992img_59961

No nosso último dia voltamos, mas não para a cidade: íamos até a badalada praia de Pampelonne para almoçar no Club 55, um clássico da família e perfeito para o nosso almoço de despedida. Este é um dos restaurantes mais antigos de Saint Tropez, tendo sido criado especialmente para atender às estrelas e equipe de filmagem do já citado filme de BB, sendo o nome uma homenagem ao ano em que a estrela e seu marido chegaram à vila.

img_6148img_61531

Apesar da clientela endinheirada que chega nos carros mais incríveis ou de barco, o lugar é bastante relax. O ambiente é delicioso, sendo as mesas dispersas por uma área cheia de árvores e não totalmente coberto. Perfeito para beber o tradicional rosé e escolher com calma o que comer num menu pequeno, mas cheio de sugestões de dar água na boca. Nós dois fomos de moules marinières e steak tartar.

img_6156

Depois do almoço fomos dar uma volta pela praia em frente ao restaurante…

img_6159

A praia de Pampelonne é extensa e cheia de bares de praia e restaurantes charmosos. É limpa e a água, azul-turquesa, barquinhos ao fundo. Eu, se fosse você, reservaria um dia para bronzear seu corpinho aqui nessas areias  ;-)

img_6161

_______
Outras viagens…

Existem muitas outras possibilidades de esticadas ao longo do litoral sul, a partir do Golfo de St Tropez.

cote-d-azur-map

(mapa de www.villacotedazur.info)

Em um dos nossos dias no sul da França viajamos cerca de uma hora e meia até Cap D’Antibes, para onde fomos convidados para passar o dia. É um península num canto muito calmo e exclusivo da Côte D’Azur. 

img_6092

Ao contrário de Saint Tropez, onde há muito espaço para passeios na cidade e praias para tomar sol, Cap D’Antibes é mais indicada para quem tem uma casa lá ou pode se dar o presente de mergulhar na piscina lindíssima do hotel Eden Roc.

Do farol é possível ver outras cidades perfeitas para bate-e-volta: Cap D’Antibes está entre Cannes, com seu festival de cinema (mais uma vez indico o Beto, que esteve conferindo o burburinho) e Nice, com Mônaco logo ao lado.

img_6104img_6099

Dá para ir a Grasse, Saint Paul de Vence (e Vence)…com um pouco mais de disposição, dá para ir a Marselha ou Aix-en-Provence. As ofertas são inúmeras, você é quem manda  :-D

E o barquinho vai…

Depois de um breve tour pelo interior do país, enfim chegamos a Port Grimaud, com a idéia de passar quase uma semana de papo para o ar, para descansar e para o Marc matar as saudades do lugar onde passava suas férias de julho quando criança e adolescente.

Este é um lugar curioso: uma cidade planejada, nos anos 60, para funcionar como um condomínio e também como uma gigantesca marina. Que conforto melhor para os que gostam de velejar do que estar no quintal e ter o seu barco estacionado em frente? 

O criador de Port Grimaud foi um arquiteto alsaciano chamado François Spoerry, apaixonado por barcos, que drenou o pântano local e ali fez surgir uma cidade com formas inspiradas nas casas provençais. Tudo poderia ter resultado em uma Disney do Midi, não fosse o capricho no planejamento de cada casa: harmonia de cores, tamanhos e materiais diferentes, que não cansam o olho como a repetição de projetos comuns em condomínios modernos.

A cidade é tranqüila e discreta, descansando lá no cantinho do Golfo de Saint Tropez, escondida atrás da própria e de St Maxime. O espírito de PG é mais familiar e menos badalação, o que talvez explique o fato de ser pouquíssimo conhecida fora da França.

(foto de iloveportgrimaud.com)

Como dá para perceber pela foto acima, a cidade tem uma quantidade pequena de ruas internas, somente o necessário para estacionar os carros: a maior parte da área é tomada por água, formando mais e mais canais. É ali que circulam as lanchas e veleiros, a caminho do mar :mrgreen:

Mesmo quem está ali só visitando pode curtir o clima do lugar: é só alugar um barquinho elétrico, na entrada principal da cidade ou ao lado da igreja, e fazer o seu próprio tour da cidade, observando as simpáticas pontes…

…e as ainda mais simpáticas casas, todo mundo curtindo a tarde como se deve: um rosé geladinho, uma baguete crocante e aqueles queijos loucos e deliciosos :-D

A maior parte da cidade tem acesso restrito aos moradores, mas é possível se hospedar em um dos dois hotéis dentro da vila: o Hotel Giraglia, bem em frente à saída do porto, próximo à capitania dos portos e da praia, e o Hotel Le Suffren, na Place du Marché.

Para quem só está de passagem, outra boa pedida, além do barco elétrico, é dar uma volta de fim de tarde pelo centrinho, onde dá para comer ou tomar um sorvetinho…

…visitar a moderna igreja com vitrais de Vasarely

…e fazer algumas comprinhas, especialmente no domingo, dia da grande feira na Place du Marché.

Por ser muito perto de casa, só um portão à frente, o centrinho era o nosso ponto fácil, seja para comprar pães, usar a internet ou só ficar de bobeira…

Nosso dia-a-dia era bem preguiçoso: acordar tarde, tomar café na varanda, alimentar os peixinhos do canal, ler, bater papo e fazer um looongo almoço. Só depois é que íamos bater perna, se desse vontade. Essa rotina boa nos ajudou muito a entrar no ritmo de férias…

Provavelmente vai surgir uma pergunta: e não tem praia? Tem sim: duas praias, uma particular, onde só se chega de barco, e outra pública. As duas são gostosas, mas não me animei muito a estender minha canga nelas, preferia não fazer nada no nosso quintal, que era tão gostoooso… :mrgreen:

Port Grimaud é muito bem localizada para fazer uma série de passeios bate-volta ou simplesmente visitar os arredores, que já têm muito a oferecer, portanto…nada de monotonia, mas um belo equilíbrio entre descanso e turistagem ;-) Da próxima vez queremos ficar mais…você também não teria vontade se tivesse essas vistas da sua varanda, ao amanhecer?

Próxima Página »


Join 41 other followers


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 41 other followers