Na sexta-feira (28), acordamos tarde, tomamos o nosso tradicional café da manhã no Del Pilar e tomamos o rumo da Avenida Figueiroa Alcorta. É um caminho arborizado, cheio de prédios bonitos das embaixadas e pracinhas.

O nosso objetivo era chegar ao Malba, que eu não tinha tido tempo de visitar da outra vez. O museu é muito famoso pela incrível coleção de obras de arte latino-americanas dos séculos XX e XXI, reunidas pelo colecionador Eduardo Constantini.

Para começar, o próprio prédio do museu é uma atração: as paredes de vidro e as clarabóias permitem à área central, de pé-direito altíssimo, receber luz e iluminar algumas das obras mais visíveis. Existe ainda um terraço com esculturas, emoldurado pelas árvores do entorno. Uma bela construção.
Mas a coleção permanente é a maior atração, tendo obras de Diego Rivera e Frida Kahlo, Xul Solar, Fernando Botero (com El Viudo, obra fantástica) e brasileiros como Hélio Oiticica, Lygia Clark e, claro, Tarsila do Amaral e seu clássico Abaporú (que, aliás, está de volta ao Brasil temporariamente para a exposição ‘Tarsila Viajante’, que fica na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, até 16/03/08.)
Abaporú (E), Autorretrato com chango y loro, Frida Kahlo (D) (divulgação do Malba)
A coleção ocupa o primeiro andar, o térreo tem os serviços e lojinha, o subsolo e o segundo andar hospedam as exposições temporárias. Quando estivemos lá, estava em cartaz uma retrospectiva de Oscar Bony, artista plástico argentino dono de uma obra curiosíssima e polêmica.
Saímos felizes e…com fome. Táxi! Palermo, por favor
Tínhamos reservado uma das muitas boas dicas dos Destemperados, o Social Paraíso, e estávamos ansiosos para experimentá-lo.

Conseguimos uma mesa junto à janela que dá para o singelo pátio interno…que ambiente simples e tão agradável. A carta é curta, mas apetitosa por inteiro e tanto meu prato como o do Marc estavam impecáveis. Fiquei até triste quando acabou o meu peixinho, um dos melhores que comi ultimamente.
Ai, que pausa boa para relaxar as pernocas entre caminhadas…Saímos em reconhecimento ao badalado Palermo Viejo para meditar sobre o belo almoço que tínhamos acabado de devorar e sentir a vibração do bairro, com suas lojas charmosas e o seu forte, na minha opinião: a área gastronômica.
Descemos em direção aos parques e aproveitamos o sol mais fraco de final de tarde para…ir ao zoológico, claro.
Essa criança aqui tinha que ver as tartarugas…


…e os hipopótamos

Alguns recintos são pequenos (talvez os conceitos de zoológico e tratamento de animais fossem diferentes na época de construção do zôo, no final do século XIX
) e as estruturas precisam de reparos, mas ainda assim é um bom passeio.


Há uma boa variedade de animais e eles ficam bem próximos dos visitantes…alguns até demais (como esses ratões e as lebres)


Depois de tanto andar, hora de voltar para casa e relaxar porque a noite de sexta-feira seria longa…começamos conferindo outra excelente dicas dos meninos Destemperados, o Bar Uriarte. Um lindo lugar, muito badalado, boa comida…poderíamos ter ficado ainda muito mais tempo se não tivéssemos reservas para o Bar Sur.

Sabíamos que o show ia até às 2 da manhã e acabamos chegando um pouco antes da meia-noite. O lugar me cativou desde o começo: minúsculo, o ambiente original bem preservado, a luz amarela lá fora iluminando os prédios antigos de San Telmo (prato cheio para uma saudosista como eu, que logo se transportou para as décadas de 20 e 30)…sem comentar as excelentes apresentações que se revezavam: cantoras, dançarinos e pequenas orquestras.
O show no Bar Sur é ininterrupto, ou seja, não há um horário específico de início, você escolhe a hora em que quer chegar. O clima não poderia ser mais intimista, os dançarinos estão a poucos centímetros. É um programa turístico? Sim, com certeza, mas emocionante. Se puder ir mais tarde como nós, pode ter um show quase particular (só vai sentir uma certa ansiedade dos funcionários quando o relógio bater 1 e meia da manhã
). E ainda ter uma aula particular de tango! O dançarino me convidou e eu aceitei, claro. Duas vezes
O moço era tão bom que conseguiu me conduzir e me dar a ilusão de que eu realmente sabia dançar tango
Enfim, diversão e arte de primeira. Recomendamos muito para quem quer sentir um clima de tango diferente das grandes casas. Mas a única recomendação para nós, naquela hora, pisando nos paralelepípedos da Balcarce, era voltar para casa e dormir, que no dia seguinte ainda teríamos muito mais…



















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