Trilogia Bo: parte final

No lado sul de Ilhabela existem uma pequena praia, fotogênica e isolada, com uma vilinha de pescadores: Bonete.

Pois é…juro que foi coincidência: mais uma ilha, mais uma vila de pescadores, mais um lugar começado em Bo… o que mais pode vir? Bocaina? Borborema? Bodrum? Bolívia? (essa não vale, mais um lugar Bo já visitado :roll: )

Nós estivemos lá em 2005, mas foi uma visita de um dia só. Passamos uma tarde linda por lá, com direito a soneca debaixo dos chapéus-de-sol depois do cansaço da trilha, peixinhos fritos e cerveja. E o sol brilhava…ê beleza.

Aproveitamos ainda para fazer uma visita à Pousada Canto Bravo, da qual já tínhamos ouvido falar e rolava uma certa curiosidade. A pousada foi plenamente aprovada e uma visita, dessa vez para ficar, começou a ser planejada naquele dia mesmo.

Só que entre planejamento e realização existe uma certa distância e a nossa foi de quase dois anos: era só reservar e apareciam compromissos sociais, trabalho, tempo ruim, joelho machucado, quadril idem…e a reserva era desfeita.

Um dia (há mais ou menos um mês atrás), resolvemos: ou vai…ou vai! Desmarcaríamos os compromissos que aparecessem, não importaria o tempo. E partimos numa sexta cedinho para Ilhabela. Atravessamos a balsa e seguimos direto para o extremo sul da ilha, onde acaba o asfalto. Ali deixamos o carro (em um restaurante chamado Nova Iorqui, com “i” mesmo), colocamos a mochila e começamos a caminhada.

A trilha é apenas uma das duas maneiras para chegar ao Bonete: a outra é por mar, mas essa possibilidade depende das condições climáticas. Queríamos fazer de novo a trilha para ajudar a entrar no clima zen…além disso, barco era a nossa escolha para a volta.

De onde deixamos o carro até a praia são cerca de 15 km de trilha margeando a costa, percorridos dentro do Parque Estadual de Ilhabela, que preserva uma bela área de Mata Atlântica.

 

A paisagem é linda…no começo é possível ver (e ouvir) o mar batendo contra as pedras lá embaixo. Depois, a mata fica mais fechada e a idéia é curtir as árvores e flores, além dos pássaros no caminho. Dessa vez vimos um casal de tucanos cruzando a trilha bem na nossa frente e um pica-pau bem tranqüilo: ele percebeu nossa presença, mas continuou com o seu trabalho :-)

Para melhorar,  passamos por duas lindas cachoeiras no caminho: a da Lage e a do Areado. 

 

Perfeitas para refrescar o corpo, comer alguma coisa e…recuperar o fôlego.

E o silêncio? Só os pássaros e o mar lá no fundo…Um pouco de silêncio é algo a que todos deveriam poder se dar ao luxo de vez em quando :-D

Só uma coisinha: a trilha é uma delícia, mas tem vários pontos de subida forte. Faça seus alongamentos, tome bastante água e faça uma parada estratégica de vez em quando…para observar a paisagem, claro :mrgreen:

Depois de umas quatro horas caminhando, aparece uma área aberta e você finalmente vê o seu ponto final:

Mais um pouquinho e você pode colocar os pés na areia :-D

24 Respostas para “Trilogia Bo: parte final”


  1. 1 Diogo Outubro 4, 2007 às 12:06 pm

    Que sacanaaaageem!!!! Quero muito fazer isso agora… e como eu fico numa situação dessas?

    Já tinha lido sobre Bonete e visto algumas fotinhos, mas nunca havia me aprofundado tanto nos detalhes como agora. Show, loucura, sonho!!!!

    Só essas 4 horinhas de caminhada que me deixou um pouco nervoso, mas enfim, faz parte do show né?

    Bjão,

    Diogo

  2. 2 Ernesto Outubro 4, 2007 às 12:16 pm

    Emilia

    Parabens pela nova reportagem do eco blog…

  3. 3 Carmen Outubro 4, 2007 às 12:35 pm

    Emília,

    Fotos muito lindas e você está fantástica sentada en la arena y la sombra del fotografo detrás (Marc???).
    ¡Bonete é um sonho!
    Estaba mirando otros destinos para volver a ir a Brasil. NO ME DES IDEAS!!! que voy…
    Beijos

  4. 4 Beto Outubro 4, 2007 às 2:57 pm

    Maravilha, Emília. Adoro a Ilha.

  5. 5 Tony Outubro 4, 2007 às 3:40 pm

    Muito lindo, Emília. Essa vista da praia do alto é de tirar o fólego.

    Pena que os borrachudos e eu não nos damos muito bem. Isto é, eles gostam muiiiiiiiiiiiito de mim, eu não gosto nem um pouco deles. Algum comentário sobre os danados?

    Abraço.

  6. 6 Débora Outubro 4, 2007 às 4:53 pm

    Menina, estou aqui mais uma vez, babando com as fotos!
    Preciso conhecer esse lugar, mas como o Tony disse no comentário anterior, eu tenho sérios problemas com os borrachudos de Ilhabela.
    bjs

  7. 7 Emília Outubro 4, 2007 às 6:20 pm

    É pessoal, o lugar é feio :-D

    Diogo, depois eu vou colocar umas fotinhas da pousada, é muito charmosa, bem casal mesmo, quem sabe vocês não se animam a fazer um esqueminha Rio-Santos? Já as fotos da praia…hmm…não ficaram tão boas porque não fez aquele sol. Peninha…

    Ernesto, cada vez mais o blog segue seu caminho eco :-D E os próximos temas também não vão fugir muito também, não…tá difícil é escolher: as viagens ficam me pedindo para aparecer aqui no blog, algumas vão ter que esperar, paciência :-P

    Carmen, todas as idéias possíveis :lol:
    Obrigada pelos elogios, mas na foto a sombra do fotógrafo não foi proposital, não :oops:

    Beto, eu também adoro Ilhabela. E o acesso é tão fácil fora de feriados…nós saímos às 6:30 da manhã de SP e às 10h já estávamos na balsa, com direito a paradinha no meio do caminho. Acho que para vocês fica mais fácil ir de Rio-Santos direto, não?

    Tony e Débora, os borrachudos não dão sossego mesmo, não adianta nem reclamar. O pessoal da pousada indicou um repelente bem mais concentrado do que esses do mercado, um tal de Exposis, ‘usado pelo exército francês’ :roll:
    Ele ajudou bem, mas tem que passar regularmente, né? Às vezes eu ficava com preguiça de repassar e aí aparecia um picada ou outra. Mas desaparecem rápido, nada dos pernilongos ultravenenosos de Bonito (me deixaram marcas de várias semanas).
    PS: As fotos da praia vista do alto não são dessa viagem, são daquela vez em 2005. A luz não ajudou muito dessa vez…mas a vista é sempre inacreditável :-D

  8. 8 Majô Outubro 5, 2007 às 2:37 pm

    Emília, não conhecia é linda mesmo.
    E aquele picapau que gracinha ;)
    Como é bom mesmo poder ouvir o silêncio e o canto dos pássaros. :)

  9. 9 Emília Outubro 6, 2007 às 2:39 pm

    Majô, Ilhabela tem várias praias muito calmas, com casas de pescadores ou desertas. Os lados norte, sul e leste são de acesso difícil, normalmente por barco ou por trilha, e por isso ficam bem mais preservadas: além de Bonete, dá para ir até Enchovas e Indaiatuba, no Sul. No Norte tem Jabaquara e da Fome, essa última é uma belezinha de praia, pequena e deserta. No leste tem Castelhanos, que já é bem famosa (é linda, mas nunca dei sorte de pegar com tempo bom), e os sacos do Sombrio e do Eustáquio. Nunca fui a nenhum deles, mas dizem que são bons lugares para mergulho.
    Como se vê, com um pouco de disposição para andar ou pegar um barco, dá para conhecer praias lindas e tranqüilas, bem diferente das praias que dão para o continente, mais disputadas. É só ter paciência com os borrachudos, como já comentamos um pouco antes :-D

  10. 10 Outubro 6, 2007 às 10:36 pm

    Pois é, Emília, eu ia te perguntar a respeito dos borrachudos, mas você já respondeu…

    Fui uma única vez a Ilhabela – faz uns trocentos anos; eu devia ter uns 14 anos de idade. Me lembro que gostei bastante. Fomos até uma cachoeira – chamada cachoeira da Toca, se não me engano – onde o pessoal escorregava morro abaixo. Super legal! Tinha borrachudo pra danar e as pessoas passavam óleo de cozinha no corpo para espantá-los. Não adiantava nada! :mrgreen:

  11. 11 Marcio Outubro 7, 2007 às 6:19 am

    Ahhhh! Ilha Bela que saudade!!! Adorei o post!

  12. 12 Patsy Outubro 7, 2007 às 1:04 pm

    Emilia, adorei o post e que fotinhos lindas!
    Ja estive em Ilha Bela, mas Bonete ainda nao… e essa caminhada deve ser uma delicia!! E a pousada afinal, eh boa? Vale a pena ir para ficar so em Bonete?

  13. 13 Majô Outubro 7, 2007 às 6:21 pm

    Emília,
    Veja só quantas praias desconhecidas !Como você diz o acesso mais difícil ajuda a preservação.
    Em Barra do Sahy havia também muitos mosquitos, muito perto da mata.
    Que bom você nos apresentar um pouco de Ilhabela ;)

  14. 14 Emília Outubro 7, 2007 às 6:22 pm

    Oi, meninos, obrigada pela visita!
    Zé, a primeira coisa que passa na cabeça de todo mundo quando pensa em Ilhabela são os borrachudos…e eles são realmente inconvenientes, para não falar outra coisa :mrgreen:
    Na última vez em que estive na Toca, e já deve fazer uns bons dez anos, já tinha essa coisa oleosa para passar, mas acho que era citronela…mas ela continua sendo o lugar na ilha com mais borrachudos por metro cúbico :roll:

    Patsy, a pousada é uma fofura, você vai ver no post que eu vou fazer sobre ela. E vou falar sobre Bonete e arredores neste próximo post também.
    Um beijo!

  15. 15 Emília Outubro 7, 2007 às 6:25 pm

    Majô!
    Não só Ilhabela, mas a Rio-Santos inteira tem essas belezinhas pra curtir…eu sou suspeita para falar, pois adoro a paisagem toda. A Mari está falando sobre Ubatuba num dos últimos posts dela. Uma bela viagem para fazer com calma.
    Já os mosquitos…são o pedágio a se pagar para curtir a beleza e a tranqüilidade de muitos lugares. Sorte que eu não sou mais tão alérgica…

  16. 16 Arthur Outubro 10, 2007 às 8:21 pm

    É, dá para passar uma vida inteira só viajando pelo Brasil e não se verá nem 30% de tudo…

  17. 17 Emília Outubro 10, 2007 às 10:13 pm

    Arthur, tem hora que eu fico um pouco desesperada com tanto lugar lindo para ver…mas aí eu fico contente porque sei que não vou ficar entediada tão cedo :-D
    Aliás, só ao redor de você, num raio de uns 150km, tem lugar bonito pra visitar que não acaba mais…

  18. 18 GiraMundo com Jorge Bernardes Outubro 13, 2007 às 8:45 pm

    Ilhabela é o ponto mais interessante do litoral de SP. Eu achei este post sensacional. Essa é a viagem que você fez que me deu mais vontade de fazer. Essa trilha é pesada, mas duvido que chegue perto das trilhas da Chapada Diamantina… Que linda a vista da praia.

    Adoro “praia própria”. Assim como vocês fizeram, chegar e ter a praia só pra vocês. Que privilégio. Lindo lugar. Que bom saber que temos alguns lugares assim tão especiais e próximos de casa. Ilhabela é o máximo.

    Agora em Julho, fomos com a Clara, mas lógico, não pudemos ir ao Bonete, o máximo que conseguimos foi uma esticada à Jabaquara que também é linda e muito mais acessível…

  19. 19 Emília Outubro 14, 2007 às 10:49 pm

    Jorge, Ilhabela é um ponto difícil mesmo de bater: vários tipos de praia, quase todas muito bonitas, boas opções gastronômicas e de hospedagem e aquele fim de tarde com águas douradas no canal…ai, ai. E ainda praias quase desertas! É um privilégio, de verdade.
    Realmente não dá para ir com crianças para o Bonete, mas os próprios donos da pousada levam seus filhos pequenos para lá (um deles com um ano e meio). O esquema do barco é bem interessante.
    E que bom que você foi a Jabaquara, é uma das minhas favoritas também! Dá para chegar lá de carro, tem alguma estrutura para a questão de comida (fundamental quando se está com crianças), uma belezinha de praia.
    PS: Não sei se saberia mais comparar as trilhas…já faz seis anos que estive na Chapada e estou me recuperando de um período sem muita atividade física. Achei um pouco cansativa, mas acho que as da Chapada realmente superam (especialmente pela falta de cobertura vegetal, o que poderia diminuir um pouco o calor.)
    Obrigada pela visita no bloguinho!

  20. 20 Flavia Penido Outubro 24, 2007 às 10:05 pm

    Emilia:

    Tô louca pra ir pro Bonete, sou capaz de ir esse ano ainda!

    Mas me responde uma coisa: quanto tempo de trilha? e se eu estiver com poucos dias, rola ir e voltar de barco? quanto tempo é de travessia?

    Beijos e parabéns, a matéria é de dar água na boca…

  21. 21 Flavia Penido Outubro 24, 2007 às 10:07 pm

    Ah! Já vi – 15km. Quanto tempo demorou, com as paradas e tudo? porque para um fim de semana fica apertado né? Precisa de uns 3 dias pelo menos…

  22. 22 Emília Outubro 25, 2007 às 11:43 am

    Oi, Flavia!
    Realmente, tem que reservar pelo menos uns três dias: só de trilha, na ida, foram cinco horas, com paradinhas nas duas cachoeiras do caminho.
    Nossa idéia era ir de trilha e voltar de barco, e deu certo. Mas eles deixam bem claro que a volta por barco depende totalmente das condições do mar e que você tem que se preparar psicologicamente para ter que voltar por trilha :roll:
    A volta de barco é rápida: se for de lanchinha, leva de 30 a 40 minutos e de canoa tradicional, cerca de uma hora.
    O lugar é uma delícia para fugir um pouco da vida louca, vale a pena matar um dia e planejar.
    Beijo!

  23. 23 henrique Dezembro 11, 2007 às 4:07 pm

    gata adorei as fotos que vc fez sou local la e adorei saber que gostou do meu lugarzinho querido parabens vc sera sempre bem vinda bjos ah e por coincidencia a canoa da foto é a do meu avo

  24. 24 Emília Dezembro 12, 2007 às 9:54 am

    Henrique, como não gostar desse lugar? :-D
    Quero voltar mais vezes, sim, sempre que o tempo (e o corpo) permitir…
    Um abraço!


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