Arquivo de setembro \30\UTC 2007

Deixe de lado um pouco o jornal…

…e visite este site: http://www.hsdejong.nl/myanmar/.

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O fotógrafo holandês Henk de Jong é um apaixonado pela Birmânia (é, eu sei que é Myanmar, mas prefiro o nome antigo) e por uma birmanesa, que se tornou sua esposa.

Por isso, ele viaja freqüentemente ao país para visitar a família e os amigos e lá tira fotos lindíssimas, que vão parar no seu site: cidades, templos, pessoas, o campo…tudo é fantástico, visto pelas suas lentes.

Nesta época ainda mais conturbada no país, que só tem aparecido na mídia por causa das manifestações pacíficas feitas pelos monges budistas contra uma ditadura militar que já dura 45 anos, vale a pena ver do que o país é realmente feito.

Ele ainda mantém um outro álbum de fotos sobre trekkings feitos no Nepal.

Boa viagem!

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Velha Boipeba

Não poderia deixar de falar de Velha Boipeba, a principal vila da ilha e local onde se pode dar uma olhada no dia-a-dia do pessoal que vive lá, bater um papo e conhecer alguns boipebenses (É isso mesmo? Ou boipebanos? Tô confusa :roll: )

Bem de acordo com o espírito baiano, o pessoal de Boipeba é muito gentil e acolhedor: alguns vêm conversar com você, saber de onde vem, se está gostando…Por outro lado, muitos são tímidos, provavelmente pelo fato de não estarem totalmente acostumados com a invasão turística no seu pedaço.

Algumas vezes, estando na vila de canga, sacola de praia e outros apetrechos praianos, eu me sentia uma alienígena… eu destoava da rotina tranqüila que estava ali instalada. Tenho que lembrar que a época em que estive lá era considerada baixa temporada, vi pouquíssimos turistas. Talvez a sensação mude no verão, alta temporada.

Saindo da Boca da Barra, chega-se à vila andando à esquerda em direção ao atracadouro no rio. Chegando ali, é só subir uma ladeirinha e já se vê a praça principal.

É grande e muito tranqüila, com umas árvores de sombra boa, onde dá para relaxar e observar o movimento: a criançadinha da pré-escola brincando, os meninos jogando futebol no campinho, as charretes transportando de tudo, para todos os lados…

Subindo a ladeirinha à esquerda, você já vê no alto a Igreja do Divino Espírito Santo, do século XVII. Uma fofura de igreja, pena que estava fechada.

Adorei essa foto no site da pousada, que deve ser da festa de Iemanjá… é da lavagem da igreja (ou de suas escadarias), que acontece em maio, quando várias mães-de-santo vêm do continente. (Obrigada, Ana Carolina!)

(foto do site da Pousada Santa Clara)

Andando pela vila, dá para ver as casinhas do pessoal…

 …as ruas mais comerciais (a vila tem algumas pousadas e uns poucos restaurantes)…

…a garotada no intervalo da escola…

…e muitos outros detalhes.

Num dos cantos da vila, no sentido do centro da ilha, está o roldão de dendê. Aqui podemos ver o método mais tradicional de extração do azeite de dendê.

Primeiro o dendê é amassado no roldão…

…e depois vai para o tanque, onde o dendê moído é lavado para soltar o óleo, que se separa da água e sobe à superfície.

Depois retirado da superfície da água, ele vai ainda para um tanque, para ser fervido e ter o restante da água evaporada. E aí está prontinho para ser envasado: R$ 3 o litro, dá para acreditar?

Se você for a Boipeba, tire um final de tarde para conhecer a vila, vale a pena. Eu sempre arranjava qualquer desculpa para dar uma passadinha por lá: comprar água, telefonar (eu não levei celular)…

E aqui acaba o relato. Depois de três dias de um delicioso não fazer nada, voltei para Salvador numa manhã ensolarada, só para me deixar com mais vontade de ficar. Eu realmente fiquei um pouco triste de ter que ir embora, mas não tem problema: pretendo voltar logo.  :-D

Boipeba 360º

No meu segundo dia na ilha, queria ir um pouco além e fazer um passeio de barco. Batendo papo com o Charles, na noite anterior, falei o que queria e ele já tinha esquematizado uma ida até às piscinas naturais de Moreré para uma família dinamarquesa que eu já tinha conhecido, também hospedada na pousada.

Éramos sete na lanchinha: eu, os quatro da família e um casal de Salvador. Estava tudo bem, só que…eu não queria ir só até Moreré, eu queria dar a volta na ilha.

(foto do site www.boipeba.tur.br)

Claro que o preço era um pouco maior, mas para mim estava ok e para o casal também. Os dinamarqueses não tinham certeza, me perguntavam se valia a pena…eu não sabia, era a minha primeira vez em Boipeba! Mas só descobriríamos indo e eles então concordaram em completar o circuito.

Primeira parada: as famosas piscinas naturais de Moreré. Como era baixa temporada, havia pouca gente e pudemos aproveitar bem o nosso tempo lá. Os tradicionais peixinhos listrados estavam lá e a menina, de uns 4 anos, estava encantada com tantos deles comendo na sua mão…nunca tinha visto algo parecido (os pais me confessaram que eles também não!).

(foto do site www.boipeba.org.br)

A água tem uma temperatura perfeita e você perde um pouco da noção do tempo, conforme vai se afastando para conferir os recifes mais distantes, indo atrás de um peixe aqui, procurando algo mais ali…infelizmente os polvos e lagostas vêm rareando nestas áreas. Os pescadores têm que ir cada vez mais longe para conseguir algum resultado.

Seguimos para a praia de Moreré e fizemos uma caminhada até Bainema, dando uma olhada na vila. É um bom intervalo para se recuperar dos pulos da lancha, que neste trecho circula em mar aberto.

A nossa última parada nesse lado da ilha é na Ponta dos Castelhanos, uma pequena praia onde um navio espanhol naufragou no século XVI. Dizem que dá para vê-lo quando se faz snorkeling na maré baixa.

Muitos pescadores também montam acampamento aqui, para uma semana intensiva de pesca.

A essa altura já estávamos morrendo de fome e o nosso almoço já estava devidamente encomendado ao seu Orlando, dono do (único?) restaurante em Cova da Onça, um dos três povoados da ilha, junto com Velha Boipeba e Moreré.

Chegando lá, pudemos tomar um banho de água doce e tomar uma decisão difícil: polvo, lagosta, peixe ou camarões? Na dúvida, pedimos todos e…estava tudo perfeito. Foi uma bela tarde à beira-mar, lindo sol, comida deliciosa e boa conversa, ali na varanda da casa do seu Orlando. Aliás, ele é uma simpatia de pessoa, adora puxar papo e contar suas histórias. O dinamarquês estava em êxtase, não acreditava estar num lugar daqueles…tinham adorado tudo.

Andamos um pouco pela vila, visitando a igreja de São Sebastião, e saímos dali um pouco contra a vontade…

Nosso passeio continuou por águas calmas, contornando a parte da ilha que é voltada para o continente. Mangues e mais mangues, uma paisagem que caiu bem para aquela tranqüilidade pós-almoço :-D

Já estávamos felizes com tudo isso, mas ainda tinha mais uma parada: o Ponto das Ostras. São bares flutuantes em frente a uma pequena comunidade na Ilha de Tinharé, que servem também como pontos de cultivo das ostras. Muito prático: eles puxam as cordas ao lado do bar e vão abrindo as ostras ali mesmo. A princípio não iríamos comer muito, mas depois de ver as ostras fresquinhas…ninguém resistiu! Mais caipirinhas foram pedidas e ali continuamos com ‘la dolce vita’. Um sossego…só nós ali, batendo papo e observando a garotada brincando nas margens…

Mais um pouco de passeio pelos canais e estávamos de volta à Boca da Barra…passou tão rápido.

O balanço do passeio: mais que aprovado, por todos :-)

PS: Como todo fim de dia, ainda fiquei ali na Boca da Barra para esperar o pôr-do-sol incrível que bate cartão naqueles cantos…

E com vocês…as praias

Descansou bem? Tomou um café-da-manhã gostoso? Então vamos explorar as praias de Boipeba.

(mapa do site www.boipeba.tur.br)

O ponto de partida é a a praia da Boca da Barra, onde encontramos a maioria das pousadas, o acesso à vila e os bares pé-na-areia.

Uma característica bacana da praia é que ela tem dois lados: um virado para o oceano e outro para o Rio do Inferno, na sua foz. Água salobra ou salgada, você escolhe. Você pode vê-la na foto abaixo, com o rio no canto direito.

 

Apesar de ser a praia mais acessível da ilha, a Boca da Barra é bem tranqüila, pouca gente na areia e circulando.

Através de uma trilhinha chegamos à praia de Tassimirim, cheia de lindos chapéus-de-sol.

Apesar de ter alguns recifes que podem atrapalhar um pouco o banho, a praia é uma delícia: pouquíssima gente efetivamente relaxa por ali e as árvores criam a sombra perfeita. Coqueiros são muito fotogênicos, mas nada como um chapéu-de-sol para abrigar o banhista naquela horinha da sesta :-D

Não cochilei, mas foi o lugar perfeito para ler um pouquinho e cair a ficha de que eu realmente estava naquele lugar incrível…A única companhia que tive nessa manhã foram uns poucos pescadores.

Está tudo muito bom, mas é hora de levantar canga e continuar o praia-tur. Tassimirim não é muito grande e, andando mais um pouquinho e contornando uma grande pedra, chegamos em Cueira.

A primeira visão da praia impressiona…grande, coqueiros sem fim, ela faz uma curva muito bonita. As ondas são fortes e vi algumas pessoas surfando, mas o canto esquerdo da praia é bom para banho.

Além disso, neste cantinho também fica o seu Guido, famoso por cozinhar suas lagostinhas numa barraca improvisada à beira-mar.

É tudo muito rústico, mas uma delícia e o seu Guido é uma simpatia. É só pedir uma cervejinha, enfiar o pé na areia e esperar a sua lagosta. A porção individual varia de R$ 15 a 20 reais, que tal? Se você pedir com antecedência, ele também faz um polvo maravilhoso.

Depois de comer um pouquinho, que tal uma caminhada? A próxima praia é Moreré, uma outra vilinha de Boipeba, famosa pelas piscinas naturais que ficam em frente à praia.

Você tem duas opções: ir pela praia e atravessar o rio, se a maré estiver baixa. Como ela já estava subindo na hora em que fui para Moreré, acabei indo por dentro da ilha, através de uma trilha de mais ou menos 50 minutos.

O bom da trilha é que, além de queimar as calorias, ela passa por uma parte alta de Boipeba em que se pode ver quase todas as praias do lado leste e sul da ilha. Uma beleza. Essa aí de baixo é Moreré, dá até para ver uma parte mais clara, onde ficam os recifes.

A vila é bem pequena e tem um restaurante muito recomendado, o Mar e Côco. Uma pena que não o peguei aberto, fica para a próxima vez…

Mais uma pequena trilha e você está em Bainema, a última praia que pode ser atingida a pé neste trecho da ilha. É uma longa praia cheia de coqueiros, deserta.

Mas não acabou…vamos um pouco mais longe no próximo post.

PS: Apesar de eu ter feito um só post sobre as praias, acredito que tentar visitar todas em um só dia vai te deixar mais estressado/a, o que não é o objetivo num lugar desses! Como sugestão, fique um dia na Boca da Barra, Tassimirim e Cueira e em outro vá até Moreré e Bainema. Na alta me disseram que existem barquinhos trazendo de volta os visitantes para a Boca da Barra, assim como tratores que fazem aquela trilha que eu percorri, indo de Moreré à Velha Boipeba, a vila principal. Não foi o caso quando estive lá, era baixa temporada e a ilha tinha poucos visitantes. É bom se programar antes…

Mar de sensações

 

Tudo começou em 2004 com Samwaad – Rua do Encontro. Algumas boas críticas nos levaram até o Sesc Belenzinho para conferir o que o Ivaldo Bertazzo tinha aprontado. Saímos de lá bobos com o que vimos, um espetáculo de inspiração indiana, em que os dançarinos eram jovens de periferia, recrutados e treinados pelo Bertazzo. Uma beleza.

Depois veio o Milágrimas, com base na dança e canto africanos, delícia de espetáculo. Com esse histórico, quando soubemos que estava em cartaz o Mar de Gente, não tivemos dúvidas e compramos os ingressos.

A dança é para mim um tipo de arte em que não é necessária muita elocubração para sentir e gostar (ou não). Passa pela intuição, direto ao espírito, e nem tanto pelo intelecto ou razão. Apesar disso, o espetáculo apresenta muitas referências e um enredo para reflexão sobre a humanidade e seus caminhos futuros.

São abordados temas diversos, como a evolução humana, o viver em sociedade, as festas e as guerras, a sedução e o lado sombrio, a espiritualidade. Esta última abre e fecha o espetáculo: o início lembra devotos em Varanasi, com as escadarias do cenário representando os ghats (na minha interpretação…), e o final também tem origem oriental, mas não vou estragar a surpresa para quem pensa em ver o espetáculo. Só digo que é lindo.

Apesar das referências orientais, as músicas são inspiradas na Europa Oriental: Hungria, Bulgária, Rússia, música cigana. As trilhas-sonoras são sempre um show à parte…

O projeto de Bertazzo funciona melhor ainda nas coreografias coletivas, onde se consegue o efeito do grupo como unidade: é hipnotizante (vale recordar a ‘cobra’, de Samwaad, para quem viu). Mas os jovens são muito talentosos e é difícil saber para onde olhar nas coreografias individuais, quando todos estão no palco.

Esse é a primeira montagem profissional desses jovens, dando seqüência ao projeto Dança-Comunidade, nascido da parceria de Bertazzo com o Sesc. Eu, se fosse você, iria ver rapidinho…as últimas apresentações serão de 20 a 23 de setembro, no Auditório Ibirapuera.

Longa vida à companhia e a esses encantadores dançarinos…

(Fotos de divulgação do espetáculo.)

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